
Mais uma vez eu engolia a mágoa sem digeri-la completamente, ela dilacerava tudo por dentro. Na minha garganta a rolha que prendia todo aquele ressentimento, queria voar á quilômetros. Eu era só uma face, uma atriz amadora sem sucesso. Maquiando toda aquela minha frustração me sentia aflita, cansada. Uma atleta que está prestes a concluir vitoriosa a sua prova, mais que de tão cansada de correr perde por milésimos de segundos. Eu realmente me esforçava, e nossa como eu me esforçava. Aquele amor já estava na fase da "Burrice do amor agudo" daqueles onde não havia mais 1% do meu corpo que escapasse. Eu estava entregue. Ou como um dos meus amigos mais próximos costumava dizer : já era, você já era. E realmente, eu realmente já tinha sido. Eu fui alguém resistente, mas agora já era mesmo. Corpo, mente e pernas cansadas. até onde eu duraria? até quando eu aguentaria? Até onde ele conseguiria continuar fingindo tão mal? Eu já estava apelando pra sorte e pra forças maiores, Ou qualquer coisa que me livrasse daquele fim tão próximo, era tão nítido que me custava a abrir os olhos. É mais uma hora tem de se abrir os olhos. Não dava mais pra simular, o meu falso talento de atriz chegara ao fim. Enquanto a angústia que mais parecia uma colher de sopa de chá fervente subindo e voltando pelo meu esôfago, meu estômago borbulhava como se um vulcão prestes a entrar em erupção, quase vomitando as milhares de palavras. Suportava. É. essa é a palavra. Eu concentrava o máximo de forças, mais nada bastava. Pra ele, era pouco. Sempre falava que não. Mais seus olhos, entregava -o. Espelhos de sentimentos, imperdoáveis. Olhos traidores. Eu suplicava, mais já não havia muito o que se fazer, o fim estava perto. E eu de mãos atadas.
