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domingo, 2 de maio de 2010

Turbulência


Ela sentia como se todos os insetos malévolos tivessem atingindo a superfície mais frágil da pele. Tudo queimava, explodia, a intensidade dava ordens. As batidas do coração dela aceleravam como um carro em uma pista de fórmula 1. Os músculos, os impulsos eram fortes demais pra serem controlados. Era necessário uma bomba de ar pra abastecer todo o oxigênio que lhes faltava.
O coração mesmo tão enterrado, estava exposto. Aliás expostíssimo. Sangrava pulsando em carne viva e em alma morta. Haviam sentimentos quebrados demais, haviam furacões dentro dela. Ela esperava , insistentemente ,talvez já vencida até , para que o "vazio" daquele determinado espaço fosse preenchido. Mas, ninguém era apto. Eram fantoches da instabilidade de sentimentos delas. Um círculo vicioso de seduções e interesses e oportunidades. Não havia portas mais para serem abertas, não haviam mais permissões. As frustrações sempre se sobressaiam no fim, assim como a esperança já descansava conformada, voavam com as cinzas dela. Não havia espaço pra duas tão contraditórias formas. O fato é que no fim, prevalecia sempre o oco. O oco e o silêncio, já eram velhos moradores daquele terreno.


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